Técnicos em prótese dentária ganham mais que profissionais com faculdade

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Fonte: Folha de São Paulo

Média salarial é de 3 mil e supera a de jornalistas, biólogos e bacharéis em comércio exterior

O Técnico em Prótese Odontológica, profissional de nível médio que presta serviços aos cirurgiões-dentistas, pode auferir ganhos muitas vezes maiores de várias atividades que exigem curso superior. Segundo pesquisa publicada pelo jornal Folha de São Paulo, a média da remuneração mensal de um técnico em Prótese Odontológica é de R$ 3.000,00. Dependendo do seu nível de especialização, este valor pode chegar a R$ 4.500 ou mais. Um assessor de imprensa em Comunicação Social, com habilitação em jornalismo, tem piso salarial de R$ 1.116,00 por sete horas diárias de trabalho, segundo informações prestadas pelo Sindicato dos Jornalistas do estado de São Paulo. Um bacharel em Comércio Exterior, por sua vez, tem uma média salarial de R$ 1.200,00 de acordo com o Conselho de Comércio Exterior do Paraná. Um Biólogo, por outro lado, tem uma remuneração média fixada em oito salários mínimos e meio, por uma jornada de 40 horas semanais de trabalho, conforme revela o Conselho Regional de Biologia do estado de São Paulo. Um levantamento feito pelo jornal Laboratório de Prótese revela que em Belo Horizonte alguns laboratórios atingem faturamentos superiores a vinte mil reais por mês. Outros, que se enquadram na categoria de médias empresas, com mais de vinte funcionários em seus quadros, chegam a faturar em torno de 50 mil reais. Essas empresas costuma enviar representantes ao interior do estado para a busca e entrega de serviços, numa prova de que existe uma maior concentração de mão-de-obra nas grandes metrópoles, enquanto os municípios de médio ou pequeno porte carecem de profissionais capazes de atender à clientela ali sediada. Dados fornecidos pelo Conselho Regional de Odontologia dão conta de que em mais de duzentos municípios mineiros, por exemplo, não existe nenhum técnico em prótese inscrito naquele órgão. O levantamento mostra ainda que existe uma carência muito grande de técnica voltada para os serviços que exigem alto nível de especialização, como a confecção de próteses que se utilizam das porcelanas dentais e de outros materiais restauradores estéticos como, por exemplo, os cerômetros. O mesmo se aplica às próteses parciais removíveis, ortodôndicas, ortopédicas e próteses sobre implantes.

Curso dura dois anos

Para exercer a atividade de Técnico em Prótese Odontológica é preciso fazer um curso de qualificação profissional que tem a duração média de dois anos. São considerados pré-requisitos a idade mínima de 16 anos e a conclusão do ensino fundamental (primeiro grau), no mínimo. Segundo o Dr. Dagoberto Fernando, diretor da escola de prótese que leva o seu nome , “embora esses sejam os pré-requisitos mínimos , em nossa escola, por exemplo, temos vários alunos com curso superior completo em diferentes áreas: Administração de Empresas, Engenharia, Artes Plásticas, Licenciatura, Direito etc. São pessoas que tentaram uma oportunidade no mercado de trabalho e que, frustradas diante das dificuldades em conseguir uma boa colocação ou desestimuladas pelos baixos salários, viram na Prótese uma boa alternativa para a realização dos projetos pessoais de vida”. O curso, dividido em quatro períodos semestrais, tem em seu currículo apenas disciplinas profissionalizantes. A partir do momento em que tiver concluído 2/3 da carga horária, o aluno que estiver regularmente matriculado está apto a iniciar o estágio curricular, que deve Ter a duração de 300 horas, no mínimo. Concluído o curso e o estágio, ele recebe o Diploma de Técnico em Laboratório de Prótese Odontológica, podendo se inscrever no Conselho Regional de Odontologia e começar a trabalhar. Embora o técnico possa trabalhar como empregado, boa parte dos que concluem o curso, entretanto, quer ser dona do próprio laboratório. É que, apesar de exigir um investimento inicial que pode oscilar entre dez a vinte mil reais, dependendo do tipo e extensão dos serviços que serão prestados, ser dono do próprio negócio é muito mais compensador que trabalhar como empregado. A média salarial para quem é empregado está em torno de 600 a 800 reais, enquanto que o faturamento de um laboratório de pequeno porte, após a formação de uma clientela com cerca de dez dentistas, nunca é menor do que dois mil reais, podendo chegar facilmente aos quatro mil reais.

Profissão é Fascinante

As atividades desenvolvidas pelos técnicos em prótese odontológica são, além de bem remuneradas, fascinantes. E, ao contrário do que muitos imaginam, não exigem nenhuma habilidade artística nata. Tais habilidades, se ajudam, não constituem pré-requisitos para ingressar na profissão, que a cada dia é mais técnica. Tanto que, muita vezes, uma pessoa que se diz sem qualquer habilidade artística, com o domínio técnico adquirido durante o curso, costuma se destacar mais que uma que se diz “artista nato” e que por isso mesmo, se torna negligente ou desinteressada com o rigor técnico. As habilidades psicomotoras necessárias ao bom desempenho profissional podem ser integralmente desenvolvidas durante o curso. Para o diretor da Escola de Prótese Dr. Dagoberto Fernandes, “se a escola quiser e o aluno também, ele pode ser treinado para tudo. Desde a maneira de se sentar diante de uma bancada de trabalho, até de confeccionar uma prótese em porcelana pura, aplicando todo o manancial de conteúdos científicos a ele repassados durante o curso, que envolve, entre outros, um profundo conhecimento sobre anatomia dentária, máquinas, equipamentos e materiais necessários ao desenvolvimento desse tipo de tarefa. Ao longo do seu processo de aprendizagem, ele tem também a oportunidade de, progressivamente, ir aguçando o seu senso estético. Isso o capacita, em pouco tempo, a realizar qualquer tipo de tarefa proposta. Não é preciso, definitivamente, ser um “artista nato” para ser um bom técnico em prótese.” “Por tratar da reconstrução protética dos dentes e dos órgãos ou tecidos a eles adjacentes, dos pontos de vista estético e funcional, é mais importante que o técnico tenha sólidos conhecimentos científicos a respeito das propriedades dos materiais que manipula, por exemplo, que propriamente habilidade motora. Esta é desenvolvida durante o curso e aprimorada pela prática diária. Atualmente, com os avanços da odontologia cosmética, o técnico acaba por se tornar também um esteticista, um mestre na recriação do sorriso bonito. Agora, de que adianta ele ser um “artista nato”, se não tem domínio sobre essas tecnologias? Para Dagoberto Fernandes, “com um treinamento rigoroso, disciplinado e bem feito pelas escolas de prótese é possível fazer um artista. Mesmo os artistas célebres, como Da Vinci ou Michelangelo tiveram que se ater no estudo, à rigorosa disciplina ou método de trabalho para criar o que criaram. Sem isso, possivelmente, teriam permanecido no anonimato. Qualquer um pode ser um artista, um artesão do sorriso estampado em próteses possíveis de serem recriadas quase à perfeição do que a natureza levou milênios para construir. Seja na cor, textura ou forma, o técnico bem treinado tem, nas suas mãos tornadas habilidosas e nos infinitos recursos colocados à sua disposição pela tecnologia, plenas condições de recompor a alegria, a satisfação e, em alguns casos, até mesmo o equilíbrio emocional perdido em decorrência do riso mutilado e que compete a ele, técnico em prótese, por obra e competência, muito mais que ao cirurgião-dentista, recuperar.”


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