Células-tronco nos dentes de leite podem curar futuras doenças

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Guarde os dentes de leite: eles podem salvar vidas. A novidade é o uso de células-tronco dos dentinhos – em benefício próprio ou de familiares próximos – no futuro, segundo o pediatra Alexandre Ayoub, fundador do Centro de Criogenia Brasil, em anúncio feito durante o último Congresso Brasileiro de Odontopediatria. “As células-tronco da polpa do dentinho de leite são jovens e de excelente qualidade e quantidade, portanto, são ideais para um futuro tratamento de doenças degenerativas”, disse.

Em fase de pesquisas, as células-tronco por enquanto só estão sendo guardadas por este laboratório especializado, em São Paulo. Não deixa de ser uma grande notícia saber que aqueles pequenos dentinhos que iam parar sobre o telhado, ou enterrados no fundo do quintal, por conta de simpatias, já podem ter um melhor destino. O Instituto Butantan, também na capital, inclusive usa células desses dentes para implantes dentários e reparação do tecido ósseo.
De acordo com Ayoub, as células são especiais porque a polpa do dente é uma pequena massa de tecido vivo, composta de vasos sanguíneos, nervos e células-tronco – as mesenquimais multipotentes -, o que significa que elas têm a capacidade de se transformar em vários tipos de células.

A confirmação disso também veio pelo trabalho publicado por Cássia Lasakosvitsch Kolya e Fernanda Lasakosvitsch, cirurgiãs dentistas: as células mesequimais e a polpa dental são fontes de células-tronco, que podem se diferenciar em fibroblastos, cementoblastos, osteoblastos e outros tecidos, permitindo desta forma a bioengenharia tecidual – o desenvolvimento de novas terapias com o uso destas células.

As pesquisadoras identificaram que as células-tronco podem reparar tecido muscular; tecido cardíaco; neurônios e células da glia: tecido nervoso; ossos; cartilagem, pele e superfície ocular.

Rubens Cardia/Arquivo
Cirurgiã-dentista e mãe, Ana Rosa Albieri já tratou de reservar células-tronco de seu filho: “Pode ser importante para futuros tratamentos”

Interesse duplo

Quem já tratou de reservar células-tronco dos dentinhos de seu filho foi a cirurgiã dentista Ana Rosa Kuyumjian Albieri, de Rio Preto, que tem acompanhado de perto a evolução deste processo não apenas como profissional, mas também como mãe. Ela conta que a retirada das células-tronco da polpa do dentinho de leite tem de ser feita por um profissional habilitado.

“O laboratório em São Paulo envia o kit para conservação do dentinho. Existe uma logística que faz com que esse dentinho chegue em condições para retirada da polpa do dentinho e preservação da células-tronco. O dentinho tem de chegar no laboratório até 72 horas depois da extração e desde que esteja na solução enviada pelo laboratório”, explica.

Ana recomenda que se por acaso não der tempo de programar a coleta, que se coloque o mesmo no soro fisiológico. “Para garantir a qualidade do tecido e das células que serão extraídas, o dentinho pode ficar no soro até 24 horas.” Ela vê nisto uma grande vantagem, uma vez que o dente de leite é temporário. “A polpa seria descartada e agora sabemos que ela pode ser muito importante para futuros tratamentos”, diz.

Mais ágeis

A dentista observa ainda que, embora os dentes permanentes também possuam células-tronco, o dente de leite, por ser mais jovem, multiplica-se com mais velocidade. Isso ocorre, segundo Irina Kerk, diretora do Laboratório de Genética do Instituto Butantan, porque o número de células-tronco vai progressivamente sendo reduzido com o passar dos anos. Contudo, vale lembrar que células-tronco também são encontradas nos dentes do siso.

A cirurgiã-dentista Camila Fávero de Oliveira, pesquisadora do Butantan, afirmou durante o congresso que as vantagens do uso das células-tronco é a maior rapidez para colocar o implante e o tempo menor de recuperação em relação ao procedimento com enxerto, além do osso formado ser de maior qualidade, mais vascularizado e com quantidades maiores de minerais.

Extração desnecessária

Há quem não tenha a menor necessidade de extrair os dentes e mesmo assim o faz. Em geral, esta é uma modalidade adotada por quem está em uso de aparelhos ortodônticos, ou no caso dos sisos. E esta atitude tem sido condenada por alguns profissionais da área.

“Cerca de 20% dos pacientes que chegam à clinica com distúrbios de ronco e apneia tem como causa principal a extração de oito dentes no tratamento ortodôntico ocorrido na infância”, explica o dentista Rogério Pavan, de São Paulo, que lembra ainda que os dentes não servem exclusivamente para amastigação, fala ou estética.

“Cada dente representa muito mais do que isso.” Idealizador da biorreprogramação bucal, reprogramação da vida por meio da boca, o dentista observa que para cada quatro dentes há um sistema biológico (respiratório, bioquímico, esquelético e postural).

“Para nós, os dentes são como brilhantes, pois é imprescindível o cuidado com eles. E é um erro extraí-los sem que realmente exista a necessidade, pois isso pode trazer sérias consequências para a saúde”, alerta.

Outras funções 

O dentista observa ainda que a principal função dos dentes é manter um padrão respiratório ideal, pois eles trabalham como colunas que sustentam o espaço da língua e permitem uma respiração saudável. Por isso, a extração pode ocasionar dores de cabeça, problemas respiratórios, entre outros, explica Pavan.

Com as extrações, os espaços internos da boca vão diminuir, causando distúrbios respiratórios, digestivos e, muitas vezes, até estruturais. “Quando se movimenta demasiadamente os dentes, podem surgir desde problemas de coluna e postura até visuais, como a miopia”, afirma o dentista.

Fonte: http://www.diarioweb.com.br


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